29/10/2019
Caso do aluno autista: Escola se manifesta após a repercussão do caso nas redes sociais

O caso, que ganhou repercussão, aconteceu na semana passada após a mãe Cleni Schieferdecker publicar nas redes sociais a foto de um bilhete que a escola em que o filho estuda teria enviado avisando que as demais crianças da turma do 1º ano iriam ao cinema na programação alusiva ao mês das crianças, mas o filho dela, de 7 anos, que tem diagnóstico de transtorno do espectro autista e perda auditiva, ficaria na escola fazendo outras atividades.

O Portal Peperi conversou com Cleni e também buscou a reposta da rede municipal de ensino sobre o episódio. A escola, Núcleo Municipal Arco Íris, por meio de nota, se manifestou sobre o assunto justificando que o objetivo foi preservar a integridade física e emocional da criança e também se desculpou com a família, que se sentiu lesada.

 

 

Confira a nota na íntegra:

Viemos por meio desta, esclarecer os fatos recentes que tiveram repercussão em redes sociais e em veículos de comunicação oficial, onde se usa o termo exclusão e discriminação, referente à condução dada à situação de um aluno da atividade extra curricular (cinema), da Escola Núcleo Municipal Arco Íris – Extensão Pessegueiro.

Considerando que durante o mês de outubro foram realizadas inúmeras atividades alusivas ao mês da criança e que em todas as outras ações, por compreensão pedagógica todos os alunos participaram.

Considerando que a escola sempre primou pela inclusão e pela proteção das crianças, chegou ao entendimento de que levar a criança ao cinema não seria uma garantia de inclusão, muito pelo contrário, seria considerado um ato de negligência do educandário, pois estaria expondo o aluno à diferentes variáveis de risco.

Considerando o histórico de reações do aluno em ambientes de aglomeração de pessoas, e considerando o cinema como um ambiente de oscilações bruscas de som e luminosidade, a escola estaria expondo a integridade física e emocional do aluno.

Considerando a realização de outras atividades realizadas anteriormente em ambientes semelhantes, desenvolvidas durante o calendário pedagógico anual, e verificando as reações do aluno e os prejuízos emocionais causados ao mesmo, optou-se, por uma decisão pedagógica, em proteger o aluno desse grau de exposição e não sujeitá-lo a esses riscos, desenvolvendo atividade específica com o aluno na unidade escolar.

Considerando que a proteção dos direitos da Criança é dever da família e do Estado, a escola, enquanto instituição pública, tomou uma decisão visando proteger a criança e lamenta que este não tenha sido o entendimento da família, pois ambos são corresponsáveis pelo zelo da integridade física e emocional da criança.

Por fim, há de se considerar ainda, que até o momento a Escola não possui um diagnóstico formal do grau de autismo, sendo que o mesmo é de fundamental importância para que o atendimento do educandário seja pleno e preciso do ponto de vista técnico. E assim, lamentamos que as consultas já agendadas para a realização do referido diagnóstico especializado não tenham sido realizadas pelo não comparecimento da criança e de seu responsável legal.

Considerando a preservação dos direitos da criança e evitando maior exposição e polemização em torno do ocorrido, outras questões relacionadas ao episódio não serão trazidas a público por meio de nota oficial, apenas serão comunicadas às autoridades competentes no momento e na forma oportuna.

Em hipótese alguma estamos nos eximindo de nossa responsabilidade. Se a família da criança em questão sentiu-se lesada, viemos por meio desta reiterar o nosso pedido de escusas. Lamentamos profundamente o ocorrido e sua consequente repercussão, porém, não seria justo julgar o educandário por um caso isolado, tendo em vista histórico de primazia pela inclusão da nossa unidade escolar. Colocamo-nos novamente à disposição da família para maiores esclarecimentos.

O documento foi assinado pela diretora, Sirlei Bohnenberger

Créditos: Rede Peperi- -Por: Kelly Figueiró

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